Myllena Valença
O conteúdo publicado no JC-Agreste e JC-Vale do São Francisco, suplementos do Jornal do Commercio, encontra-se disponível através da internet aos deficientes visuais da região. De acordo com dados do Censo Demográfico 2000, do IBGE, a região Nordeste tem a maior concentração de pessoas cegas ou com campo visual reduzido. As matérias são disponibilizadas por meio do projeto JC Acessibilidade, desenvolvido por Lucio Poncioni como trabalho de conclusão do curso de Sistema de Informação da Faculdade Integrada do Recife.
Atual gerente de projetos do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, Poncioni diz que, apesar da grande quantidade de pageviews do JC Acessibilidade em todo o Brasil, o seu público-alvo no interior pouco conhece essa ferramenta de informação.
Por meio do endereço www.jc.com.br/acessibilidade os internautas têm acesso a todas as matérias, artigos e colunas dos semanários. Isso é possível graças a sintetizadores de voz como o DOSVOX, que é o mais conhecido. Trata-se de um software gratuito que pode ser instalado nos computadores e que faz a leitura dos textos através de caixas de som ou fones de ouvido.
Lucio Poncioni explica que foram criadas duas versões pelas quais é possível navegar. No Online, o internauta pode, conectado à internet, ouvir todo o teor do JC-Agreste e do JC-Vale, além dos cadernos do Jornal do Commercio, dos classificados, colunas e cadernos especiais. Já na versão off line, pode baixar o conteúdo do JC num arquivo compactado em formato zip, o que possibilita consultá-lo em qualquer computador, conectado ou não à internet.
“A maior parte das associações voltadas aos portadores de deficiência visual não possui acesso à rede, embora tenha máquinas disponíveis. Por isso, o JC Acessibilidade foi pensado para beneficiar todos os públicos, visando à inclusão social”, sublinhou Poncioni. Segundo ele, o portal também conta com a programação das emissoras da Rádio Jornal do Recife, Caruaru, Limoeiro, Garanhuns e Petrolina. Assim, os deficientes visuais poderão ouvir toda a programação em tempo real.
Atualmente, a página do JC Acessibilidade na internet tem mais de seis mil acessos diários, de pessoas de todo o Brasil. “Esse número deve aumentar conforme mais pessoas do interior pernambucano conhecerem e usufruírem essa ferramenta de inclusão digital e social”, pontuou Poncioni.
ACESSO RESTRITO
De acordo com a presidente da Associação Caruaruense de Cegos (Acace), Lucy Tertulina Alves, 39 anos, a Capital do Agreste concentra a maior população de deficientes visuais da região. “São, em média, 100 pessoas com o problema, isso sem contar com aquelas que ficam reclusas em casa”, destaca.
Entre os militantes da Acace está o estudante de jornalismo Marcos Gervásio, 23 anos, hoje com apenas 5% da visão. “Tinha muitas dificuldades de leitura, até mesmo porque não encontro jornais escritos em braile na cidade. Depois do JC Acessibilidade, que consulto regularmente, minha vida acadêmica foi enriquecida e tenho mais base para seguir a profissão que escolhi”, comemora o estudante.
A presidente da Acace diz que, atualmente, frequentam a entidade entre 40 a 45 associados. No entanto, apenas dez têm computador em casa. “Isso acaba sendo uma barreira no acesso ao conhecimento”, lamenta.
Tentando mudar essa realidade, a Acace, que conta com oito máquinas em sua sede, lançou cursos de informática para os membros da entidade e criou o site www.acace.com.br, que, assim como o JC Acessibilidade, possui sistema DOSVOX. “Estamos divulgando sites com essa ferramenta, mas, embora sejam de extrema utilidade para o nosso dia a dia, eles ainda são escassos”, disse o professor de informática da instituição, Sandro Severino da Silva.
FONTE: http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/07/12/not_384354.php
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